Educação

A importância do professor para a garantia da equidade

Por Natalia Puentes, coordenadora de pesquisas do Instituto Península

No mês de agosto, o Instituto Península foi convidado para participar da 1ª edição do Women Economic Forum na América Latina. Estive em Cartagena, na Colômbia, integrando o painel “O ensino: um caminho para equidade” com acadêmicos de três universidades colombianas e mediado por Karen Carvajalino, fundadora da The Biz Nation, uma startup de educação financeira. Durante a conversa foi colocada a seguinte pergunta: “Que ferramenta ou solução vocês enxergam como a mais estratégica para garantir uma educação com equidade entre meninos e meninas?”. A minha resposta? Os professores. Ao ouvirem a resposta, os quase dois mil participantes do evento ficaram se olhando… o que escutaram parecia não fazer muito sentido com a proposta do evento.

O consenso de todas as palestras foi a permanência de padrões previamente impostos da existência de vieses que identificam as mulheres com filhos como menos competentes e homens com filhos como mais confiáveis; de que mulheres são apenas das ciências humanas e somente os homens das ciências exatas…Então, olhando para meu posicionamento sobre como garantir a equidade, em que ponto ele poderia ser relacionado aos professores?

A realidade de cada um de nós é produto da construção do que acontece desde a infância nas salas de aula. Quem nos ajuda a formar nosso pensamento crítico, crenças e relacionamentos são nossos professores. O poder transformador da Educação passa justamente pela capacidade deles de se conectarem aos alunos com o objetivo de compartilhar o conhecimento. É a partir do professor que são construídas as futuras gerações e a equidade não será nunca uma realidade se não estiver integrada à visão e à prática dos docentes.  Por isso, o Instituto Península trabalha pelo resgate da valorização desse ofício. Os professores, que são os principais agentes de transformação da Educação, influenciam diretamente o desenvolvimento de uma sociedade e, consequentemente, de um país. Prova disso são nações como Finlândia, Coreia do Sul e, aqui na América Latina, o Chile. Todos esses países promoveram mudanças na Educação que resultaram em melhorias sociais e econômicas.

De fato, o ensino é um caminho para a equidade, mas é indispensável reconhecer a importância de quem ensina. Para que isso possa ser garantido, é imprescindível que a carreira docente seja valorizada, com incentivos para que os professores continuem crescendo como profissionais e indivíduos, assim como a segurança de um apoio multisetorial para lidar com a complexidade das nossas sociedades.

Acredito que formação de professores precisa ser revisada em toda América Latina. Como disse, o Chile já mostrou um bom caminho. A região está sendo vista como um continente estratégico se pensarmos que, entre vários fatores, temos uma reserva de 30% da água doce do mundo. Nossa população é jovem e vibrante e temos a oportunidade de propor novas formas mais sustentáveis de desenvolvimento. Estão nossos professores prontos para assumir essa visão que o mundo passa a ter da nossa região?

Percebemos que existe um viés inconsciente: Os professores estão sendo excluídos das conversas sobre o futuro. E que isso não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Portanto, como mudar o futuro se não convocamos os agentes que o constroem?

Posicionar a importância da docência, resgatar o prestígio e apoiar o fortalecimento da profissão são desafios que nós, do Instituto Península, depois de termos participado deste fórum, vemos com maior convicção e com mais vontade de resolver.

Nos sentimos honrados em ter participado como a voz dos professores no 1º Women Economic Forum na América Latina. Estamos comprometidos em incluí-los em todas as conversas relacionadas com o futuro da nossa região.

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